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SEMINÁRIO

A CLASSIFICAÇÃO HEGEMÔNICA DO TEA
E SEUS EFEITOS NOS PAIS E NA ESCOLA

com Kelly Cristina Brandão da Silva

Corpos errantes, corpos que esbarram, corpos a esmo, corpos falados, corpos indóceis e indisciplinados. O corpo do dito autista renuncia à normatização e à disciplina. Quando esperamos a retribuição do nosso olhar, de um sorriso ou de uma palavra – tão ordinários no laço neurótico – nos surpreendemos com formas extraordinárias de se expressar, falar e colocar o corpo em cena.

Esses corpos, tão precocemente idiossincráticos, impõem questionamentos e angústia aos pais. A experiência clínica de atendimento de crianças com sinais de fechamento autístico, em uma universidade pública do interior de São Paulo, tem revelado uma dificuldade cada vez mais frequente das famílias em narrar a própria história e a história da criança, seus sintomas e sofrimento. A princípio, parece possível a esses pais apenas repetir, de forma ecolálica, a classificação diagnóstica que foi atribuída por um terceiro, do campo médico, ou procurar o serviço na expectativa de que um especialista nomeie o que acontece com o filho. Observa-se um falar-sobre-si empobrecido, uma aparente incapacidade de narrar e supor uma história sobre os sintomas da criança, o que determina pouca aposta em um saber próprio, um saber parental. 

Argumenta-se que esse emudecimento narrativo seja um efeito da supremacia do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), produzido pelo discurso da ciência, segundo o qual, o autista não teria história, tampouco filiação. Os pais, submetidos a esse discurso, muitas vezes repetem os enunciados pasteurizados e generalistas que pretendem explicar tudo sobre o comportamento, a linguagem e os sintomas da criança. É importante ainda sublinhar que esse diagnóstico é referendado por profissionais que representam uma verdade científica, entendida pelos pais, frequentemente, como indiscutíveis. 

Dessa forma, há um declínio da experiência narrativa, tal como sublinha o filósofo Walter Benjamim, e os pais normalmente emudecem diante das dificuldades no laço com o filho, como se fosse impossível oferecer-lhe um lugar na filiação, a partir de uma tradição familiar. Cabe também salientar que, atualmente, o diagnóstico de TEA vem acompanhado de uma série de encaminhamentos, como um combo do autismo, o que se traduz na prescrição de inúmeros atendimentos, em diversas especialidades, sem tempo para a produção de uma significação familiar. 

No discurso da ciência, em uma perspectiva lacaniana, parece só haver espaço para a confirmação dos saberes acumulados, o que efetivamente dificulta (e até mesmo impossibilita) a criação de algo novo. Ao pensarmos na clínica com crianças que apresentam impasses graves na constituição psíquica, o discurso da ciência pode produzir efeitos nefastos nos pais e dificultar a circulação de elementos significantes que compõem a trama familiar, o que pode obstacularizar ainda mais o processo de constituição psíquica. 

A direção ética de um trabalho com esses pais, tão submetidos a diagnósticos totalitários, é a abertura para aquilo que escapa à classificação. É a aposta em uma construção autoral, ancorada em uma tradição familiar. É, aos poucos, sustentar junto a eles a possibilidade da criança, antes de ser autista – filha do discurso da ciência – ser reconhecida como filha deles, com traços, gostos e corpos familiares, com nome e sobrenome próprios, não anônimos.

A partir dessa perspectiva despatologizante, também é pensado o trabalho com a escola, que, tão frequentemente, demanda dos profissionais de saúde um saber especialista a respeito dos chamados incluídos (ou laudados, termo cada vez mais recorrente nos meios escolares). Como manejar essa demanda, sem cair nas armadilhas do discurso da ciência?

A fim de aprofundar as questões apresentadas, pretende-se nesse Seminário Clínico discutir os efeitos do discurso hegemônico sobre o TEA nas famílias e nas escolas, a partir da apresentação de relatos clínicos.

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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

• 1° Encontro  (18 de Fevereiro 19h às 21h)
Aula inaugural: Por que o autismo causa tanto embaraço aos pais e à escola?

•  2º encontro (19 de Fevereiro 10h às 12h)

O discurso do especialista e seus efeitos nos pais e na escola

• 3º encontro (04 de Março 19h às 21h)

Da classificação do TEA à possibilidade de narrar dos pais

• 4º encontro (05 de Março  10h às 12h)

Do “aluno laudado” ao “aluno-estrangeiro”: um trabalho possível com a escola 

METODOLOGIA

Serão 4 encontros ao vivo (online), que ocorrerão do dia  18/02 ao 05/03, com a duração de 2h por encontro. As aulas serão pelo Instituto ESPE com a psicanalista Kelly Cristina Brandão. Todas as aulas ficarão gravadas e disponíveis no portal de ensino do Instituto ESPE por 90 dias!

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ANALISTA DOCENTE

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Kelly Brandão

Psicanalista, Doutora em Educação pela FEUSP e Docente da Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP. Professora permanente do Programa de Pós-graduação em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação da UNICAMP. Coordena a REPSIC – Rede de Pesquisas: Psicanálise e Contemporaneidade (FCM/UNICAMP). Membro da comissão editorial da Revista Estilos da Clínica. Membro do GT Psicanálise e Educação da ANPEE (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia), da rede RUEPSY e do Grupo de Pesquisa do CNPq “`Psicanálise e Intervenções Escolares”. Residente em Campinas (SP).