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SOBRE O CURSO​

Este curso internacional reúne pesquisadores e psicanalistas reconhecidos por suas contribuições à clínica e teoria Psicanalitica. Ao longo de cinco encontros, serão abordados os saberes do bebê e seus efeitos sobre o trabalho clínico; a importância dos testemunhos dos próprios autistas; as relações entre autismo, alíngua e letra; as particularidades da experiência adolescente; e os processos de avaliação e tratamento de bebês que apresentam sinais precoces de risco de autismo.
 

As aulas serão ministradas por profissionais de diferentes países e tradições de pesquisa, favorecendo a interlocução entre psicanálise, clínica interdisciplinar e pequisas contemporâneas.
 

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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

10 de outubro, sábado, das 9h às 12h

Saberes do bebê e seus efeitos na clínica psicanalítica

O encontro abordará o bebê como participante ativo das relações e como produtor de respostas que precisam ser reconhecidas pelo clínico. Serão discutidas as competências precoces do bebê, seus modos de comunicação e os efeitos que seus gestos, vocalizações, olhares, ritmos e recusas produzem sobre aqueles que dele cuidam.

A aula propõe examinar como os saberes do bebê deslocam concepções segundo as quais ele ocuparia uma posição meramente passiva diante do adulto. Essa mudança de perspectiva possui consequências para a observação clínica, para a escuta dos pais e para a construção das intervenções nos primeiros tempos da vida.

17 de outubro, sábado, das 9h às 12h

Escutem os Autistas

A aula discutirá as consequências teóricas, éticas e clínicas de se considerar seriamente aquilo que os sujeitos autistas ensinam sobre seu próprio funcionamento. Seus testemunhos descrevem modos particulares de relação com a voz, o olhar, o corpo, os objetos, a linguagem e o laço social, oferecendo indicações fundamentais para a direção do tratamento.
 

A partir da proposição de que o sujeito autista possui um saber sobre suas dificuldades e sobre as soluções que constrói, serão examinados os limites de intervenções intensivas que pretendem normalizar comportamentos sem considerar a personalidade, as escolhas e as invenções singulares. O trabalho clínico será pensado com base no respeito às defesas, aos interesses específicos, aos objetos e às bordas por meio dos quais o autista pode regular a angústia e construir formas possíveis de abertura ao mundo. Maleval sustenta que os testemunhos dos autistas devem ocupar um lugar central nos debates sobre os tratamentos e as políticas dirigidas ao autismo.

24 de outubro, sábado, das 9h às 12h

O autismo entre a língua e a letra

O encontro examinará a constituição do sujeito autista a partir dos conceitos de alíngua, letra, gozo, repetição e acontecimento de corpo, especialmente desenvolvidos no último ensino de Jacques Lacan. A discussão permitirá distinguir a entrada na linguagem da submissão às leis simbólicas que tradicionalmente organizam a metáfora e a metonímia.

A aula abordará a hipótese do autismo como quarta estrutura e as consequências clínicas de se reconhecer uma lógica própria na relação do sujeito autista com a linguagem. Serão discutidas a iteração da letra, a primazia do Um, os fenômenos de corpo e as invenções por meio das quais cada sujeito procura circunscrever o gozo e produzir alguma forma de estabilização. A tese de Álvarez Bayón situa o autismo entre alíngua e letra e relaciona essa formulação à clínica do “Um sozinho” e à proposição dos Lefort acerca de uma estrutura autística específica.

31 de outubro, sábado, das 9h às 12h

A adolescência em análise

A adolescência constitui um tempo lógico marcado pela transformação do corpo, pela reorganização das identificações e pelo encontro com questões relacionadas à sexualidade, ao desejo e à separação das referências familiares da infância. Essas transformações podem produzir angústia, inibições, sintomas, passagens ao ato e dificuldades na construção dos vínculos.

A aula discutirá como o trabalho analítico pode oferecer ao adolescente um lugar de elaboração diante daquilo que irrompe no corpo e não encontra imediatamente uma inscrição simbólica. Serão examinados os modos de entrada do adolescente em análise, as particularidades da transferência, a presença dos pais e a posição do analista diante das soluções encontradas pelo jovem. Nos estudos de Cosenza, a iniciação sexual adolescente é compreendida como um confronto com o real e com a inexistência de um saber capaz de garantir previamente o encontro com o outro.

07 de Novembro, sábado, das 14h às 17h

Avaliação e tratamento em bebês com risco de autismo

A aula abordará a identificação e o tratamento de sinais precoces de sofrimento em bebês que apresentam retraimento relacional ou risco de evolução autística. Serão discutidos os indicadores observáveis nas interações iniciais, como dificuldades no estabelecimento do olhar, na resposta à voz, na convocação do outro e na participação em circuitos de prazer compartilhado.
 

A avaliação será considerada como parte de um processo clínico que inclui o bebê, seus familiares e os diferentes profissionais responsáveis pelo cuidado. O encontro também discutirá intervenções dirigidas à retomada dos circuitos pulsionais e relacionais, especialmente por meio do olhar, da voz, da prosódia e das brincadeiras corporais. A pesquisa de Laznik procura descrever e analisar as microinterações capazes de favorecer a saída do fechamento relacional, articulando a clínica psicanalítica com pesquisas sobre desenvolvimento, linguagem e interação entre bebês e cuidadores.

SOBRE OS DOCENTES PARTICIPANTES

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Erika Parlato

Psicanalista. Habilitação em Direção de Pesquisa (HDR) pela Université Paris Cité. Doutora em Ciências Cognitivas pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em cotutela com a PUC-SP. Professora na Universidade Federal de Minas Gerais, é referência no campo da psicanálise e da clínica com bebês.

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Jean-Claude Maleval

Psicanalista. Professor emérito de psicologia clínica pela Universidade Rennes 2, na França. Membro da École de la Cause Freudienne e da Associação Mundial de Psicanálise. É um dos principais nomes da psicanálise lacaniana no estudo das psicoses e do autismo, autor de obras como O autista e sua voz e A diferença autística.

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Patrício Bayon

Psicanalista. Uma das principais referências contemporâneas da orientação lacaniana no estudo do autismo, autor de O autismo, entre alíngua e a letra. Suas elaborações sobre a clínica do Um e sobre a posição do sujeito autista na linguagem são centrais no debate atual do Campo Freudiano.

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Domenico Cosenza

Psicanalista. Doutor em Psicanálise pela Universidade Paris 8. Analista Membro de Escola e ex-presidente da Scuola Lacaniana di Psicoanalisi, membro da Associação Mundial de Psicanálise e ex-presidente da Eurofederação de Psicanálise. Referência internacional na clínica psicanalítica dos transtornos alimentares, autor de O muro da anorexia.

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Marie-Christine Laznik

Psicanalista franco-brasileira e doutora em Psicologia Clínica, é radicada na França desde 1972 e membro da International Lacanian Association. Fez Psicanálise com Jacques Lacan por oito anos e depois com Joyce MCDougall durante 12 anos. As suas áreas de interesse dividem-se entre a sexualidade feminina e a crise da identidade feminina durante a menopausa. Também se dedica ao trabalho com crianças, em particular autistas, e nos últimos 15 anos vem trabalhando com recém-nascidos. Em seus estudos, indicou sinais capazes de identificar o início do autismo em bebês entre quatro e nove meses. 

SOBRE NÓS

O ESPE é uma Instituição de Ensino Superior dedicada ao Ensino e à Pesquisa da Psicanálise no Brasil. Com docentes extremamente capacitados, nosso principal propósito é capacitar pesquisadores e profissionais que sejam referência em sua área.

LOCALIZAÇÃO

(16) 9.9748-9388
 

R. Cap. Adélmio Norberto da Silva, 786 - Alto da Boa Vista, Ribeirão Preto - SP, 14025-670

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